Sífilis Volta a Atacar

A OMS estima 1 milhão de casos de sífilis por ano entre as gestantes e preconiza a detecção e o tratamento oportunos destas e de seus parceiros sexuais portadores da sífilis, considerando que a infecção pode ser transmitida ao feto, com graves implicações. A eliminação da sífilis congênita e da transmissão vertical do HIV constitui uma prioridade para a região da América Latina e do Caribe. O documento “Estratégia e Plano de Ação para a Eliminação da Transmissão Vertical do HIV e da Sífilis Congênita”, de 2010, reafirma o compromisso dos países das Américas para eliminar a transmissão vertical dos dois agravos até 2015 . Esse compromisso está em conformidade com as metas estabelecidas pela “Iniciativa de Eliminação” da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), quais sejam: a redução da taxa de transmissão vertical do HIV para menos de 2% e da incidência de sífilis congênita para menos de 0,5 caso por 1.000 nascidos vivos até 2015 . Em 2014, a Opas criou o Comitê Regional para Validação da Eliminação da Transmissão Materno-Infantil de HIV e Sífilis, certificando os países que alcançarem: 1) taxa de transmissão vertical do HIV ≤ 2%, ou incidência de até 0,3 caso por 1.000 nascidos vivos; 2) taxa de incidência de sífilis congênita de 0,5 caso por 1.000 nascidos vivos; 3) cobertura de pré-natal (pelo menos 1 consulta) ≥ 95%; 4) cobertura de testagem para HIV e sífilis em gestantes ≥ 95%; 5) cobertura de tratamento com ARV em gestantes HIV+ ≥ 95%; e 6) cobertura de tratamento com penicilina em gestantes com sífilis ≥ 95%. Diante da realidade nacional e em consonância com o contexto global, a política de prevenção da morbimortalidade materno-infantil do Pacto pela Saúde do Ministério da Saúde (2006) incluiu metas de redução da transmissão vertical do HIV e da sífilis contidas no Plano Plurianual (PPA) 2012-2015 aprovado pelo Congresso Nacional. Por isso, uma das prioridades descritas na Agenda Estratégica da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) do Ministério da Saúde (MS) é a eliminação da sífilis congênita como problema de saúde pública até 2015 .

De 1998 a junho de 2014, foram notificados no Sinan 104.853 casos de sífilis congênita em menores de um ano de idade, dos quais 48.015 (45,8%) na Região Sudeste, 32.884 (31,4%) no Nordeste, 8.959 (8,5%) no Sul, 8.856 (8,4%) no Norte e 6.139 (5,9%) no CentroOeste. Em 2013, foram notificados 13.705 casos de sífilis congênita em menores de um ano de idade, a maioria dos quais (43,1%) na Região Sudeste, seguidos pelo Nordeste (32,2%), Sul (11,4%), Norte (7,8%) e Centro-Oeste (5,5%). Com relação à incidência de sífilis congênita, em 2013 observou-se uma taxa de 4,7 casos por 1.000 nascidos vivos no Brasil, sendo que a Região Nordeste apresentou a maior incidência de casos(5,3), seguida da Sudeste (5,1), Sul (4,1), Norte (3,5) e Centro-Oeste (3,3). Nos últimos 10 anos, houve um progressivo aumento na taxa de incidência de sífilis congênita: em 2004 a taxa era de 1,7 casos para cada 1.000 nascidos vivos e em 2013 subiu para 4,7.

Nos últimos dez anos, no Brasil, a taxa de mortalidade infantil por sífilis passou de 2,2 por 100.000 nascidos vivos em 2004 para 5,5 em 2013.

Para mudar essa situação, o Departamento tem envidado esforços tais como: articulação com o Conselho Federal de Enfermagem, no sentido de sensibilizar os profissionais de enfermagem para a aplicação da penicilina durante o pré-natal; elaboração do Caderno de Boas Práticas de Sífilis; disponibilização do Protocolo de Investigação de Transmissão Vertical; articulação com o Conass e com o Conasems; elaboração do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para Atenção Integral às pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis; interlocução com os laboratórios fabricantes da penicilina e com a Anvisa para solução dos problemas de desabastecimento. Essas estratégias têm-se mostrado adequadas e apontam que o Brasil caminha para o alcance de dupla eliminação da transmissão vertical do HIV e sífilis.

PPT: dst2016.ppt

Operation Immunization 2016: Enhancing HPV Immunization

Charles Rosenblatt, MD; PhD has participated in the educational activity Operation Immunization 2016: Enhancing HPV Immunization.
AMA PRA Category 1 Credit™ Certificate

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Leia mais: Gardasil seguro e eficaz em homens jovens

Gardasil seguro e eficaz em homens jovens

Uma equipe internacional de investigadores reportou na 3ª edição de Fevereiro do New England Journal of Medicine que a vacina Gardasil previne infecções e doenças associadas com as estirpes de maior risco do vírus do papiloma humano (HPV) em homens.

Rapazes e jovens adultos com experiência sexual, com idades entre os 16 e os 26 anos de idade foram incluídos no estudo duplamente cego, controlado com placebo. Entre os que receberam as três doses, a vacina reduziu o risco de lesões associadas com as estirpes de alto risco do HPV (6,11,16 e 18) em 90%.
A Dr.ª Jane Kim, autora do editorial que acompanhou o estudo, afirmou que os seus resultados “confirmam o potencial das vacinas contra o HPV de prevenirem doenças relacionadas, em rapazes e homens.”

A infecção com o vírus do papiloma humano e as doenças associadas é comum em rapazes e homens. Aproximadamente um quarto das verrugas ano-genitais associados a esta infecção ocorre em homens, e um número desproporcionado destas neoplasias ocorrem em gays e outros homens que têm sexo com homens.
A Gardasil já demonstrou prevenir a infecção persistente e a doença em raparigas e mulheres, provocada pelas quatro estirpes de risco elevado do vírus do papiloma humano que estão associadas a cancros ano-genitais. É recomendado nos EUA, Reino Unido e muitos outros países que as raparigas recebam esta vacina ou outra de uma companhia concorrente antes de se tornarem sexualmente ativas.

Para averiguar a segurança e eficácia do Gardasil em homens, os investigadores desenharam um estudo envolvendo 4 065 rapazes e homens sexualmente experientes que foram recrutados em 18 países. Cada um destes indivíduos reportou entre um a cinco parceiros sexuais até ao início do estudo. Foram randomizados em dois grupos iguais: um recebeu a vacina, o outro um placebo. A vacina foi administrada em três doses num período de seis meses.

A eficácia da vacina na prevenção da infecção contra estirpes de risco elevado e da doença foi examinada. As taxas de efeitos secundários foram também comparadas entre os dois grupos.
Tanto os homens heterossexuais (3 463) como os homossexuais (602) foram recrutados para o estudo.

Dois conjuntos de análises foram feitos pelos investigadores. O primeiro envolveu todos os doentes que foram randomizados (com intenção de tratar); o segundo foi restringido aos 2 805 doentes que receberam todas as três doses da vacina ou do placebo (por protocolo).

Um mês após a administração da terceira dose, 97% dos que receberam a vacina tinham anticorpos contra todas as quatro estirpes do vírus do papiloma humano.
Na população total, com intenção de tratamento, ocorreram 36 lesões genitais relacionadas com o vírus do papiloma humano no grupo de vacinas, comparado com 89 no braço de estudo que recebeu o placebo. Tal demonstrou que a vacina tinha uma eficácia total de 60% na redução da doença.

A vacina foi bastante mais eficaz em indivíduos que receberam as três doses. Ocorreram seis lesões no braço da vacina comparado com 36 no braço do placebo, com uma eficácia de 84%.
Para participantes heterossexuais, a vacina teve uma eficácia de 92%, mas a eficácia foi apenas de 79% para os homens que reportaram ter pelo menos um parceiro sexual masculino.
Em seguida os investigadores examinaram a capacidade da vacina para prevenir a infecção persistente com as quatro estirpes do vírus.
Nas análises do braço de estudo com intenção de tratar, a vacina teve uma eficácia de 48%. Para os doentes que receberam todas as três doses, a eficácia foi de 86%.
Proporções semelhantes de doentes no braço de estudo da vacina e do placebo reportaram alguns efeitos secundários (69% vs. 64%). A maioria destes estava relacionada com dores musculares no local da injeção.
“As nossas conclusões apontam para a eficácia da vacina quadrivalente contra o HPV na prevenção da infecção pelo HPV e doenças relacionadas em homens,” comentam os investigadores, que concluem que a eficácia da vacina nos homens “pode ser semelhante” à observada em mulheres.

Mas será que os seus resultados significam que os rapazes devam receber a vacina contra o vírus do papiloma humano por rotina?

A Dra. Kim realça no editorial que os dados conseguidos neste estudo informaram a decisão de licenciar o uso da vacina em rapazes e jovens adultos nos EUA. Além disso, a Dra. Kim acredita que a investigação “dá-nos sem dúvida um motivo para celebrar o potencial extraordinário da vacinação contra o HPV na melhoria da saúde tanto nas mulheres como nos homens.”

Contudo, ela argumenta que os benefícios e custos da vacinação de rotina nos homens necessitam de ser cuidadosamente pesados. A vacinação de jovens adultos gay e de outros homens que têm sexo com homens pode ser eficaz em termos de custo, mas ela sugere que, no total, o dinheiro gasto em vacinações de rotina poderia ser gasto em qualquer outra coisa onde “poderia obter benefícios de saúde ainda maiores.”

A Dra. Kim concluiu que é importante “rever decisões legislativas à medida que nova informação relevante e novas tecnologias se tornam disponíveis e no caso da prevenção e controle de doenças relacionadas com o HPV este será o caso.”

Referência:

Giuliano AR et al. Efficacy of quadrivalent HPV vaccine against HPV infection and disease in males. N Engl J Med 364: 401-11, 2011.

Kim JJ. Weighing the benefits and costs of HPV vaccination in young men. N Engl J Med 364: 393-5, 2011.

Leia mais (PDF):

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HPV e Vacinas – 2016

O descobrimento de uma vacina capaz de alterar o curso natural do câncer de colo uterino e outras neoplasias decorrentes da infecção pelo HPV criou grandes perspectivas não só na comunidade médica, mas também entre diferentes segmentos da população mundial, tendo sido incluída no calendário vacinal de vários países.

Os autores revisam o tema que sugere que a vacina profilática contra o HPV, apesar de isoladamente não ser capaz de eliminar totalmente o câncer de colo uterino, poderá trazer uma importante contribuição para a saúde pública, quando associada aos programas de rastreamento do câncer cervical.

Mesmo sabendo da alta eficácia das vacinas profiláticas contra tipos específicos do vírus, serão necessários novos estudos com maior tempo de duração para avaliar os resultados em longo prazo, uma vez que os estudos mais prolongados atingiram apenas nove anos e meio de seguimento.

Até o momento, os resultados encontrados sugerem não haver a necessidade de reforço da vacina, mas serão necessárias as avaliações com mais de 10 anos para verificar a duração da eficácia, segurança e o tempo de validade da vacina profilática contra o HPV.

HPV 2016: Exames de biologia molecular

HPV geralmente produz infecção latente (6% das mulheres normais têm HPV-DNA)

(Lorincz et al: Human papillomavirus infection of the cervix: Relative risk associations of 15 common anogenital types. Obstet Gynecol 79:328-337, 1992.).

O período de incubação é de 1 a 8 meses; após surgir a primeira lesão,segue-se um período de formação ativa das lesões que dura cerca de nove meses, e então a taxa de formação de novas lesões lentifica-se ou pára. Isto se deve à contenção fornecida pela resposta imune do hospedeiro, que ocorre a partir do terceiro mês após o início das lesões.

Portanto, 9 meses após ocorrer a primeira lesão, a doença entra no estágio tardio, podendo seguir dois cursos clínicos:

  1. regressão espontânea com remissão clínica sustentada
  2. 2.doença persistente ou recorrente

 

Veja mais as indicações para os:  testes de Biologia Molecular para HPV em mulheres