Papel dos homens na transmissão de doenças associadas
e o papel da vacina para o HPV nesta população.

O HPV – papilomavirus é responsável pela DST mais freqüente do planeta , ocorrendo em aproximadamente 75% da população sexualmente ativa exposta ao vírus. Os países do MERCOSUL, incluindo o Brasil, não publica seus dados estatísticos sobre DST , mas sabe-se que as maiores prevalências pelo mundo são observadas na África, México e America Central. Tais dados são possíveis pois estes países apresentam as maiores estatísticas mundiais de NIC(neoplasia intraepitelial cervical) e carcinoma invasivo de colo uterino. Indiretamente sabe-se que o Brasil apresenta uma alta estatística de infecções por HPV e o Ministério da Saúde registra a cada ano 137 mil novos casos de infecção por HPV.

Sabe-se que os homens contribuem para a infecção nas mulheres e estima-se que mais de 70% de parceiros de mulheres com infecção cervical por HPV são portadores do DNA deste vírus. A infecção fora da região genital foi detectada em até 73% de homens saudáveis.

Amaior parte da infecções por HPV em homens manifesta-se de uma forma benigna e geralmente subclínica. Pode ainda manifestar-se clinicamente como lesões tipo “couve-flor” em qualquer sitio do genital masculino e região perianal, podendo ocorrer ainda na boca, sendo imprescindível a avaliação de todos estes locais quando se avalia um paciente suspeito de infecção. Quando encontrado no meato uretral torna-se imperativo a avaliação de toda a uretra através de uma uretroscopia. Quando avaliado este paciente os dados coletados da anamnese detalhada, incluindo informações sobre o numero de parceiros sexuais, tipos de práticas sexuais e a presença de DSTs no passado. Um exame físico detalhado dos genitais, região perianal e boca e a inspeção com ácido acético é utilizada para auxiliar na detecção das lesões, alem de ser útil na sua triagem.

O Ca de Pênis ocorre em menos de 0,5 % dos casos de câncer nos homens. Em aproximadamente 50% dos caos encontramos nestes casos o DNA de HPV, sendo que o tipo 16 é o encontrado em ais de 60% dos casos.

O Ca de ânus também apresenta uma estatística rara tanto em homens como em mulheres mas vem aumentando suas estatísticas nos últimos anos devido a uma mudança no comportamento e nas práticas sexuais. Nestes casos foram encontrados em 80% dos casos o DNA de HPV, sendo também os tipo 16 e 18 os mais prevalentes.

Já na cabeça e pescoço, encontramos 25% dos Câncer de orofaringe relacionados ao HPV, sendo também fruto de uma mudança na prática sexual. Os mais freqüentes tipos também são os tipos 16 e 18.

A circuncisão apresenta um efeito protetor na aquisição de DSTs incluindo o HPV.
A cavidade unida subprepucial pode fornecer um ambiente favorável para a sobrevivência do vírus e conseqüente infecção. Em um estudo realizado na África, em Uganda, houve uma redução na prevalência de infecções de HPV em 35% dos casos, em %%34 pacientes.
As vacinas de HPV são autorizadas para meninos e homens e estes devem ser incluídos nestes programasd e vacinação contra o HPV, já que os mesmos podem ser infectados pelo vírus e potencialmente desenvolver doenças relacionadas , além de lesões pré neoplásicas e neoplásicas. Por se tratar de DST, estudos indicam que essa inclusão poderia gerar benefícios diretos para os próprios indivíduos e também para suas futuras parceiras sexuais a partir da redução da transmissão do vírus. Um programa eficiente de vacinação reduz gastos provenientes de doenças associadas.

Como as vacinas disponíveis têm caráter profilático é necessária a adoção de políticas de saúde pública para alertar a população evitando assim o primeiro contágio, seja por meio da prática de sexo seguro, de cuidados higiênicos e de medidas preventivas como a criação de programas de circuncisão neonatais e a orientação de procurar cuidados urológicos nas suspeitas de infecção por DSTs.

Certamente a orientação precoce sobre as DSTs e as práticas de vacinação levarão a uma importante redução dos casos de lesões associadas ao HPV.